Já disse Sigmund Freud, o pai da psicanálise, há mais
de cem anos: todos nós estamos destinados a amar
uma mulher – a começar por aquela que nos deu a vida.
Desde que o homem se sabe homem, dedicou às mulheres
poemas, canções e odes imemoráveis. Apesar disso, as relações
entre homens e mulheres raramente ocorrem sem
percalços, confusões e muitos mal-entendidos...
Uma vez que a sabedoria popular ensina que é brincando
que se diz a verdade, o escritor argentino Mario
Kostzer resolveu abordar esse assunto com muita irreverência,
em seu Tratado Sobre Mulheres. Ilustrado com
elementos que instigam o leitor a mergulhar no universo
feminino, o livro descreve nada menos do que uma
centena de tipos de mulheres. Não só a mãe, a irmã, a
sogra e a amante, como também a secretária, a prostituta,
a jornalista, e mais ainda: a frígida, a consumista, a anoréxica,
a solteirona... e tantas outras que, garante o autor,
é impossível que a leitora não se identifique com pelo menos
um dos tipos apresentados. Quanto aos leitores do
sexo masculino, talvez este Tratado os ajude a responder
(mesmo que parcialmente) a uma pergunta que consome
os homens desde os primórdios da humanidade: como
entender as mulheres?
E, antes que as críticas feministas acusem a psicologia
de Kostzer de um certo reducionismo, vale a ressalva
de que essa classificação de mulheres assume a licença
poética de um inventário ficcional e totalmente bem-humorado.
Um inventário que revela, no fim das contas, o
olhar curioso que os homens lançam sobre os mistérios
femininos há milênios, no intuito nunca completamente
saciado de decifrá-los.